Ele estava sentado em sua cama. Estava fazendo qualquer coisa inútil no seu computador, quando algo lhe desviou a atenção. Começou a olhar fixamente ao seu armário de mogno claro que, como as nuvens, se encaradas por certo tempo, se transformam em figuras divertidas e distantes.
Quem o olhasse como um terceiro e não tivesse entendendo o que estava acontecendo, diria que ele só estava reparando em algo diferente no seu quarto. Porém, inesperadamente, seus olhos começaram a pesar, tremer, sofrer e, por fim, lacrimejar.
Em um movimento brusco, ele saltou de sua cama, buscou sua mochila, abriu seu estojo, alcançou sua lapiseira, abriu um caderno e nele começou a escrever.
Quando você está tão petrificado de sentimento que não consegue chorar. Mas força seus olhos até lacrimejarem para ver se consegue se livrar daquela angústia através das lágrimas.
Quando você quer virar para o seu travesseiro, sufocar-se nele e gritar até o amanhecer.
Quando você não faz a mínima ideia de como conseguiu passar tanto tempo sem sentir um vazio tão forte.
Quando você se acha tão estranho que chega a pegar um caderno para anotar como você se sente.
Quando a maior ansiedade do mundo é para que tudo se resolva e você possa olhar para este caderno e rir de tudo o que foi escrito na página.
Quando a única coisa que vai fazer com que você se sinta menos frustrado é cavar mais ainda a fundo na sua dor.
Quando você acha que nunca mais vai voltar ao normal.
Quando você percebe que encheu a página inteira de um caderno em menos de 5 minutos só de tentar expressar uma pequena parte do que está entalado na sua garganta.
Quando você olha à sua volta e, por um momento, acha que esqueceu todas as coisas; seus nomes, suas funções, seus significados antes de… Antes de amar.
Quando você sente seu caderno vibrando porque sua mãe está te ligando mas você nem ao menos considera atendê-la de tão atordoado que está.
TRIM, TRIM, TRIM
Quando você atende “oi, mãe” no telefone do seu quarto e ela pergunta: “como você sabia que era eu?”
Quando você esquece que é inadequado usar “te” com “você”.
Quando você estiver amando…
Fabrício Bernardes