C’est quoi l’amour ?

May 3rd, 2012

Ele estava sentado em sua cama. Estava fazendo qualquer coisa inútil no seu computador, quando algo lhe desviou a atenção. Começou a olhar fixamente ao seu armário de mogno claro que, como as nuvens, se encaradas por certo tempo, se transformam em figuras divertidas e distantes.
Quem o olhasse como um terceiro e não tivesse entendendo o que estava acontecendo, diria que ele só estava reparando em algo diferente no seu quarto. Porém, inesperadamente, seus olhos começaram a pesar, tremer, sofrer e, por fim, lacrimejar.
Em um movimento brusco, ele saltou de sua cama, buscou sua mochila, abriu seu estojo, alcançou sua lapiseira, abriu um caderno e nele começou a escrever.
Quando você está tão petrificado de sentimento que não consegue chorar. Mas força seus olhos até lacrimejarem para ver se consegue se livrar daquela angústia através das lágrimas.
Quando você quer virar para o seu travesseiro, sufocar-se nele e gritar até o amanhecer.
Quando você não faz a mínima ideia de como conseguiu passar tanto tempo sem sentir um vazio tão forte.
Quando você se acha tão estranho que chega a pegar um caderno para anotar como você se sente.
Quando a maior ansiedade do mundo é para que tudo se resolva e você possa olhar para este caderno e rir de tudo o que foi escrito na página.
Quando a única coisa que vai fazer com que você se sinta menos frustrado é cavar mais ainda a fundo na sua dor.
Quando você acha que nunca mais vai voltar ao normal.
Quando você percebe que encheu a página inteira de um caderno em menos de 5 minutos só de tentar expressar uma pequena parte do que está entalado na sua garganta.
Quando você olha à sua volta e, por um momento, acha que esqueceu todas as coisas; seus nomes, suas funções, seus significados antes de… Antes de amar.
Quando você sente seu caderno vibrando porque sua mãe está te ligando mas você nem ao menos considera atendê-la de tão atordoado que está.

TRIM, TRIM, TRIM
Quando você atende “oi, mãe” no telefone do seu quarto e ela pergunta: “como você sabia que era eu?”
Quando você esquece que é inadequado usar “te” com “você”.

Quando você estiver amando…

Fabrício Bernardes

Resenha – Relato de um Náufrago

April 20th, 2012

O livro Relato de um Náufrago, como muitos já disseram, é uma história dentro de uma história. O que faltou dizer é que, na verdade, ele é uma história dentro de outra história dentro de outra maior ainda.

Na época em que se passou o episódio, a Colômbia estava sob um regime militar rígido, parecido, inclusive com o brasileiro. As premissas eram as mesmas: censura e patriotismo. É óbvio que alguém que sobreviva dez dias no mar sem a ajuda de ninguém se tornaria um ídolo da época. É tudo o que um governo com as características já mencionadas quereria. Um membro da tripulação colombiana com garra suficiente para sobreviver a uma prova dessa. Caiu na boca do povo, o governo se apropria. Inúmeras análises poderiam ser feitas sobre esta terceira grande história contextual dentro das outras duas.

Já a segunda história diz respeito a como o naufrágio virou um livro de Gabriel García Márquez. O colombiano trabalhava em um jornal chamado El Espectador, de Bogotá. Luís Alexandre Velasco, o náufrago, procurou o jornal depois de muita fama e dinheiro que havia conquistado através da publicidade. Os funcionários do jornal hesitaram em escutá-lo porque a história já havia sido vinculada e distorcida demasiadamente. Porém, no fim, acabaram escutando-o e sua trama rendeu polêmica, aumento da tiragem do veículo no qual García Márquez trabalhava e o fechamento do próprio. No meio da conversa, o jornalista descobriu que o destróier o qual levava os marinheiros trazia mercadorias contrabandeadas dos Estados Unidos, informação que desestabilizara o governo da época. Como represália, a Ditadura fechou o El Espectador e desmentiu a história divulgada por Velasco.

A primeira trama é aquela que não tem nada a ver com García Márquez, nem a Ditadura dos anos 50 na Colômbia. Luís Alexandre Velasques voltava com sua tripulação da cidade de Mobile, nos Estados Unidos, quando foi surpreendido por um vento forte e caiu no mar porque se segurava nas mercadorias que trazia e foram descartadas pela tripulação. Depois disso, manteve-se em uma balsa por 10 dias. Passou fome, sede, por alucinações, comeu uma gaivota, matou um tubarão, tentou comer o próprio cinto. Quando chegou a uma praia deserta no norte da Colômbia, ainda teve pedir ajuda a colombianos tão ilhados que nem sabiam do naufrágio. Quando chegou ao hospital em Cartagena das Índias (para onde deveria chegar se não tivesse caído no mar), uma infinidade de pessoas quiseram visitá-lo. O único jornalista de fora do regime que conseguiu falar com ele se vestiu de médico. Velasques se tornou um herói nacional e enriqueceu com a publicidade. Fez comerciais do relógio que não parou de funcionar enquanto estava no mar ou do sapato que tentou rasgar para comer mas não conseguiu. Dois anos após, a Colômbia saiu do sistema ditatorial e Velasques caiu no esquecimento.

A linguagem fluida e a trama fantástica são típicas de Gabriel García Márquez. Parece que esse trabalho caiu como uma luva nas mãos do autor. Um prato cheio. A qualidade da reportagem demonstra isso. Excluindo as que poderiam ser tiradas sobre o relato de Velasques e sua luta pela sobrevivência – que são óbvias -, a conclusão mais importante sobre a obra é que é interessante como criamos histórias a partir de histórias. E como essas podem dar frutos inesperados. Quem diria que García Márquez teria se indisposto com o governo da Colômbia por causa de um náufrago? Ou então, que um naufrágio causaria o fechamento de um jornal? Uma trama interessante, que ultrapassa a superação de um homem, se emoldura por uma realidade de um país latino-americano em plena ditadura e passa pela linguagem realística-fantástica de um dos maiores escritores vivos. Leitura recomendada.

Je dis ce que je pense

March 24th, 2012

Yo soy el que te recuerda cómo estamos de jodidos

Félicitations, vous êtes brésilien ! Une économie dynamique qui croît sans arrêt. Un géant latino, dont la monnaie est deux fois plus forte que celle de l’Argentine. Un potentiel immense à explorer, un pays peuplé de gens heureux et chaleureux.

Félicitations, vous êtes “paulistano” ! La quatorzième ville la plus mondialisée du globe. La ville qui possède le dixième plus grand PIB de la planète. La ville qui accueille la deuxième plus importante bourse de valeurs du monde. Une ville d’ethnicité européenne, mais dynamique et avancée comme une métropole américaine.

Des docteurs en psychologie ont découvert une logique très efficace pour qu’un être humain atteigne n’importe quel but. Elle s’appelle le contraste mental. Le principe de base est d’imaginer les bons et les mauvais aspects de votre objectif puis de les confronter.

Mais pourquoi est-ce si difficile de faire cohabiter des idées contradictoires dans notre esprit ? Parce que notre cerveau a tendance à éliminer toutes les pensées paradoxales. C’est comme lutter contre notre propre nature.

Mais alors pourquoi le contraste mental est-il si efficace ? Parce qu’il vous force à prendre une décision: soit vous vous donnez les moyens d’atteindre votre but, soit vous abandonnez.

Félicitations, vous êtes brésilien ! Habitant d’un pays dans lequel il est plus important d’avoir le portable le plus cher qu’avoir ses enfants à l’école. Une nation dont les citoyens croient qu’il est bien de tirer partie des autres. Un pays qui préfère parler de football que de discuter des politiciens qui volent la population.

Félicitations, vous êtes “paulistano” ! Une ville où les riches détestent les pauvres. Une métropole dans laquelle il est bien d’offrir comme cadeau une voiture à votre fils qui est à la faculté, même s’il met 2 heures et demie à arriver où il veut. Une des villes les plus mondialisées de la terre, et en même temps un lieu où plus de 625 mille personnes vivent avec moins de 140 réaux par mois.

Oui, la vérité fait mal. Mais je suis fatigué de l’hypocrisie. Personne au Brésil ne vit au paradis et nous sommes loin d’avoir résolu notre problème. Je parle de São Paulo parce que je suis paulistano depuis toujours. Qu’est-ce qu’ une ville où un entrepreneur va construire un QUARTIER entier dans la ville ? Qu’est-ce qu’une ville ou il y a presque deux voitures par personne ? Qu’est-ce qu’une ville qui se vante d’être développée, mais n’a de ville-jumelle qu’une ville de 1,5 millions d’habitants (presque 7 fois plus petite que São Paulo) comme Barcelone ? Qu’est-ce qu’une ville qui positionne des policiers armés dans une université pendant que, à chaque trimestre, plus de 10 personnes sont tuées ?

Quelle est donc la solution ? Investir dans le métro? Oui, investissons dans um transport public de qualité ! Alors, São Paulo sera un centre de développement et de qualité de vie parce que nous aurons réglé un des plus grands problèmes de la ville. Alors plus de 10 millions de gens vont affluer du reste du Brésil et du monde en cherchant des facilités qu’on trouve dans une ville pleine d’opportunités avec une bonne qualité de vie. Comme ça, nous n’aurons pas régler les choses, parce que nous aurons le même problème de nouveau.

Et que faire avec la circulation, la pollution, les inondations, l’effet de serre, la pluie acide, et les autres dans une ville comme São Paulo? Je me proposerais d’écrire un texte argumentatif si j’avais des idées logiques, pratiques et concises à défendre. Cependant, je ne les ai pas, je ne suis pas un académique et les débats croissants sur tels problèmes écologiques me donnent de plus en plus la certitude que plus on en parle, plus c’est nul.

L’unique idée que je défends – j’ai utilisé plus de 3000 caractères pour y arriver – c’est que rien n’est tel qu’il devrait être. Peu importe si vous positivez et niez les problèmes. Alors, faisons comme les psychologues américains nous suggèrent: confrontons nos idées et cherchons un but commun. Pour nous et pour le monde entier.

Fabrício Bernardes

Digo o que penso

March 23rd, 2012

Yo soy el que te recuerda cómo estamos de jodidos

Parabéns, você é brasileiro! Uma economia dinâmica que cresce sem parar. Um gigante latino-americano, cuja moeda vale o dobro da dos nossos “hermanos”. Um potencial imenso ainda por ser explorado, um país de gente feliz e acolhedora.

Parabéns, você é paulistano! A 14a cidade mais globalizada do mundo. Município que possui o 10o maior PIB do planeta. Cidade que abriga a sede da 2a maior bolsa de valores do mundo em valor de mercado. Uma cidade de etnia europeia, porém dinâmica e avançada como uma metrópole americana.

Doutores psicológos descobriram, recentemente, uma lógica eficiente para alcançar qualquer meta que um ser humano comum pode lograr – portanto, exclui-se voar, ser invisível e colocar o Sarney na cadeia. Ele se chama contraste mental. O método consiste em imaginar aspectos bons e ruins do objetivo a alcançar e, em seguida, confrontá-los.

A eficácia dele foi mais do que comprovada. Mas por que é tão difícil contrastar ideias em nossa mente? Simples. Nosso cérebro tende a eliminar todas os pensamentos paradoxais de nossa mente. É como lutar contra nossa própria natureza. É como nadar contra a corrente.

Mas por que o contraste mental é tão eficaz, então? Porque ele força você a tomar uma decisão: ou você segue em frente com e ataca aquele objetivo ou você desiste.

Parabéns, você é brasileiro! Habitante de um país em que é mais importante ter o celular da última geração do que ter seus filhos na escola. Uma nação cujos cidadãos acham bonito tirar vantagem dos outros. Pátria que prefere falar sobre futebol do que discutir sobre os políticos que roubam descaradamente a população.

Parabéns, você é paulistano! Cidade em que gente diferenciada não gosta de metrô para não se misturar com a gentalha. Metrópole em que é bonito dar um carro de presente ao filho que passou na faculdade, mesmo que ele demore 2 horas e meia para chegar ao seu destino. Um dos municípios mais globalizados do mundo e, ao mesmo tempo, lugar onde mais de 625 mil pessoas vivem com menos de 140 reais por mês.

É, a verdade dói. E doa a quem doer. Estou farto de hipocrisia. Ninguém vive no País das Maravilhas de Alice e estamos longe de resolver nosso problema. Falo de São Paulo porque sou paulistano da gema. Que cidade é essa em que uma construtora vai construir um BAIRRO inteiro dentro da cidade (em Pompeia)? Que cidade é essa em que há quase dois carros por pessoa? Que cidade é essa que se vangloria de ser desenvolvida, mas não tem metade da malha ferroviária de uma cidade de 1,5 milhão de habitantes (quase 7 vezes menor do que São Paulo) como Barcelona? Que cidade é essa que enfia polícia super-armada em universidade, enquanto, a cada trimestre, mais de 10 pessoas são assassinadas?

Qual a solução, então? Investir em metrô? Sim, invistamos em transporte público de qualidade! Então, São Paulo será um foco de desenvolvimento e qualidade de vida porque teremos resolvido um dos maiores problemas que assola a cidade. E então mais 10 milhões de pessoas migrarão do resto do Brasil e do mundo buscando as regalias de uma cidade cheia de oportunidades com boa qualidade de vida. Assim, teremos voltado à estaca zero. Sim, o buraco é mais embaixo. Diferentemente de como o paulistano gosta de pensar, não estamos isolados.

E o que fazer com o trânsito, poluição, enchentes, efeito estufa, chuva ácida e tantos outros etc’s numa cidade como São Paulo? Eu me proporia a escrever um texto argumentativo se tivesse ideias lógicas, práticas e concisas para defender. Porém, não as tenho, não sou um acadêmico e o crescente debate interminável sobre tais problemas ambientais só me deixa cada vez mais com a certeza de que, quanto mais se fala, mais se chove no molhado.

A única ideia que defendo – com unhas e dentes. Ora, precisei de mais de 3800 caracteres para chegar a ela – é que nada está como deveria estar. Por mais que você viva positivizando e negando os problemas. Então, façamos como os psicólogos americanos sugeriram: confrontemos ideias e busquemos um objetivo-mór comum. Pelo seu próprio bem, e pelo de todos.

Fabrício Bernardes

Eu entrevistei o irmão do Gabriel García Márquez

March 6th, 2012

Jaime García Márquez é um senhor extremamente simpático, bem-humorado e gentil. Este é realmente um marco na minha “carreira” de jornalismo. A entrevista foi feita em espanhol, porém as anotações em portuñol. Houve algo que não tomei nota e não seria nem necessário. O colombiano de 71 anos disse que meu espanhol estava perfeito e que eu era um ótimo repórter, pois eu o havia feito falar por mais de 50 minutos.

Aliás, não foi nada difícil fazê-lo se expressar, já que ele é bastante falador. Na hora em que ele disse isso, eu lhe respondi que, na verdade, entrevistava-o mais como um fã de seu irmão do que como um jornalista propriamente. Ele respondeu: “deve ser por isso que você foi um bom repórter.” Esta entrevista se encontra no portal onde eu trabalho e, como será divulgada nos outros 22 países dos quais a Universia Brasil faz parte, eu a traduzi para o espanhol. Confira a entrevista na íntegra aqui e sinta – pelo menos um pouco – as mesmas emoções que senti enquanto papeava com Jaime García Márquez, irmão do grande Gabriel García Márquez.

Fabrício Bernardes

Mis 10 mejores canciones

February 5th, 2012

He decidido hacer un post diferente. En primer lugar, no soy un escritor ni un poeta. Tampoco quiero dar esta impresión. Soy una persona normal, un periodista (ok, tal vez no tanto) que posta en su blog cosas que ni siempre se han pasado de hecho, pero que transmiten cierta emoción. Soy un periodista al que no le gusta lead, ni objetividad, ni pirámide invertida y, sobre todo, prefiere escribir en primera persona. Por ello, un post así puede pasar tanto o más sentimiento que cualquier otra cosa que yo ya haya escrito aquí. ¿Sabéis por qué? Porque un buen comunicador aborda todo y cautiva sin querer cautivar. Él le saca emoción de una piedra – a veces un buen periodista le saca leche de piedra también, pero eso no importa.

Éste post es musical y extremamente personal. Abajo están las 10 mejores canciones del mundo – según yo. Por lo tanto, no lo llevad en serio. Nunca he estudiado música, no toco ningún instrumento musical y mi cantante favorita es Shakira. Bueno, basta de rollo, vayamos a mi terrible gusto musical:

1 – The thin line between love and hate – Iron Maiden

2 – Bohemian Rhapsody – Queen

3 – True love way – Kings of Leon

4 – En tus pupilas – Shakira

5 – The eraser – Thom Yorke

6 – Si tú no vuelves – Miguel Bosé e Shakira

7 – Sozinho – Caetano Veloso

8 – Childhood dreams – Nelly Furtado

9 – Chanson pour Patrick Dewaere – Raphaël

10 – Latinoamérica – Calle 13

Fabrício Bernardes

Minhas 10 melhores músicas

February 1st, 2012

Eu resolvi fazer um post diferente desta vez, sem trocadilho. Primeiro, não sou escritor, nem poeta. Muito menos quero passar tal impressão. Sou uma pessoa normal, um jornalista (ok, talvez não tanto) que posta em seu blog coisas que nem sempre aconteceram de fato, mas que transmitem certa emoção. Eu sou um jornalista que não gosta de lide, nem de objetividade, nem de pirâmide invertida e, acima de tudo, prefere escrever em primeira pessoa. Por isso, um post desta forma pode passar tanto ou mais sentimento do que qualquer outro que já escrevi aqui. Sabe por quê? Porque o bom comunicador fala de tudo e cativa sem querer cativar. Tira emoção de uma pedra – às vezes, um bom periodista tira leite de pedra também, mas isso não vem ao caso.

Este post é musical e extremamente pessoal. São as 10 melhores músicas do mundo – de acordo comigo. Por isso, não levem a sério. Eu nunca estudei música, não toco nenhum instrumento musical e minha cantora favorita é a Shakira. Bom, deixemos de enrolações e passemos para o meu terrível gosto musical:

1 – The thin line between love and hate – Iron Maiden

2 – Bohemian Rhapsody – Queen

3 – True love way – Kings of Leon

4 – En tus pupilas – Shakira

5 – The eraser – Thom Yorke

6 – Si tú no vuelves – Miguel Bosé e Shakira

7 – Sozinho – Caetano Veloso

8 – Childhood dreams – Nelly Furtado

9 – Chanson pour Patrick Dewaere – Raphaël

10 – Latinoamérica – Calle 13

Fabrício Bernardes

Revelry

January 5th, 2012

See, the time we shared it was precious to me
But all the while I was dreaming of revelry

Que noite para se divertir! Você sabe que eu sou uma máquina de dançar. Então eu bebo e fumo e me pergunto onde você estará. Todas estas luzes, elas me confundem. Eu me perco no meio delas. Estará você me chamando? Estarei eu ouvindo sua voz? Mesmo com o coração mais gélido do mundo, eu sinto a dor à flor da pele. E ainda que tenha eu sido quem estragara com tudo, não consigo lidar com a perda. Entenda, todas as coisas pelas quais passamos foram valiosas, mas durante este tempo, eu só pensava em pândega.

Então eu saio da balada e vejo a lua pálida. As ruas e madrugadas de São Paulo são tão frias. E a sua falta entra na minha pele em forma de arrepio provocado pelo frio. Meus músculos vitais tremem para se livrarem da baixa temperatura, mas não entendem que esta não é a solução. Na verdade, não há resposta, apenas uma explicação. Acho que você deveria saber que foi e é você a quem sempre pertenceu meu coração. Mas o demônio e eu éramos melhores amigos desde o começo.

Sim, está tudo errado. E, desta vez, o consolo de que se deve primeiro errar para em seguida acertar não se aplica. Pois eu errei porque quis. Enquanto atravesso o asfalto rude da cidade, um buraco se abre entre minhas pernas. A fenda se separa em lados opostos. À direita, está você. À esquerda, está a farra. Não é coincidência você estar à direita. Estava combinado que você iria endireitar minha vida. Mas o medo e a covardia me jogaram para a esquerda.

Portanto, aqui estou tentando conciliar o inconciliável. Chove tão forte que parece que está nevando, tudo está desabando em mim. Detrás das árvores, na escuridão da noite. Tudo parece e está tão incompleto, e eu. Eu só sonho em farrear…

Fabrício Bernardes

Sonho de Felicidade

October 21st, 2011

Ven conmigo a dar un paseo por el parque
Porque tengo más cuentos que contarte que García Márquez

Eu não me lembro direito quando foi e nem faço questão de tal. Só sei que foi um sonho. Um sonho de felicidade. Pessoas muito inteligentes às quais devo respeito e admiração pelo resto da minha vida disseram que felicidade é não sentir nada. No começo, achei estranho. Não sentir nada não é ser feliz. Na época, pensava assim. Mas hoje, penso que ser feliz tem sim muito a ver com niilismo. Tem uma certa relação com estar anestesiado. No entanto, não concordo completamente com eles. Porque ainda tenho convicção de que felicidade também é sentir coisas boas. Ou seja, ainda acredito que coisas boas existem. E, de preferência, espero envelhecer crendo nisso. Portanto, prefiro pensar que felicidade não é inteiramente composta de alegria. Um pouco de anestesia, um pouco de serotonina. É claro que se eu estiver sob certo efeito de anestesia, diminuo a serotonina também. E é justamente disso que falo. Anestesiado, você está imunizado de coisas ruins e de exageros de felicidade. Você está simples. Para mim, na minha mera e leiga opinião, felicidade tem muito mais a ver com simplicidade.

Pois bem, um dia, sonhei. Sonhei que estava na praia. Eu sentia a umidade salgada entrando pelo meu nariz. Sentava na mureta de costas para o mar e olhava o vai-e-vem das pessoas. Meus pés, calçando meus chinelos, estavam levemente sujos de areia e eu estava de baixo de uma palmeira. Eu devia estar em Mongaguá.

Uma pick-up parou na ciclovia e dela desceu um chileno que insistia muito para que eu comprasse amendoins. Acabei comprando e, em seguida, ele sentou-se comigo numa mesa de plástico ao lado da mureta. Bebíamos cerveja e comíamos amendoim. Passaram-se alguns minutos e avistei meu primo. Ele vestia roupa de praia e carregava um largo sorriso em seu semblante. Convidei-o para sentar e ele aceitou.

Bebíamos cerveja, comíamos amendoins, sorríamos, estávamos na praia e falávamos espanhol. Tem coisa melhor?

Há muitas coisas ainda que deveriam ser mencionadas, esclarecidas e explicadas por mim sobre este sonho. Mas, na verdade, só quero acrescentar algo: sem qualquer circunstância lógica, acordei feliz após este sonho. Então, em vez de terminar o texto complicando-o, finalizo-o com uma pergunta simples que até já foi feita no parágrafo acima. Beber cerveja, comer amendoim, na praia, ao lado do seu primo e falando espanhol… Tem coisa melhor?

Fabrício Bernardes

Gypsy Heart

October 5th, 2011

Y va liviano
Mi corazón gitano
Que sólo entiende de latir
A contramano

Have you ever felt like you had a gypsy heart? Is there a right time to start liking or disliking someone?

Gypsies are just a people who came from northern India and spread around Europe. But why a gypsy heart? Simply because the heart is gypsy, it is nomad. It cannot hold to someone forever. Yes, that is the way we are. We are born having to learn that love does not last forever. However, why do we not ever learn? It is so good to start loving someone, in the beggining, everybody is flawless. It is so good to deceive yourself by thinking this person will never hurt you. The beggining of everything is so joyful.

I believe it is a human condition. We all know that, no matter how hard we try, we will hurt someone one day. And why, even knowing that we will make someone suffer, do not we prevent ourselves and do not commit the same mistake again? You may say, because it is a very-easy-to-be-made mistake. Whether is it easy? What is easy? If you make a mistake in doing job, you might get fired at the same time. Because of a simple mistake. What about those who hurt people everyday? Should they be fired from life?

Think about that before making the same mistake again. Pourquoi pas? Why not?

Fabrício Bernardes